O Que São os Concílios da Igreja? Reflexões Sobre a Caminhada da Fé

Introdução Você já parou para pensar em como as crenças e as regras da fé cristã foram organizadas ao longo

Concílio I

Introdução

Você já parou para pensar em como as crenças e as regras da fé cristã foram organizadas ao longo dos séculos? A resposta passa pelas históricas reuniões da hierarquia eclesiástica. A palavra “concílio” tem origem no termo latino concilium, que significa, em sua essência, um “conselho” ou uma reunião com o propósito de decidir algo. Conhecer a história desses encontros é mergulhar na forma como a comunidade cristã estruturou sua vivência espiritual e evitou que sua mensagem se perdesse no tempo.

O Coração de um Concílio: Doutrina e Disciplina

Em termos práticos, um concílio é uma reunião da Igreja, agrupando os seus bispos e membros da sua hierarquia. Mas qual é o propósito profundo de se reunir? O objetivo central é discutir questões pertinentes à vida da igreja, focando em dois pilares fundamentais: a doutrina e a disciplina eclesiástica.

A doutrina refere-se àquilo que a Igreja professa e acredita intimamente. Já a disciplina eclesiástica diz respeito às suas normas e ao seu funcionamento prático. É através dessas reuniões de reflexão e decisão que a fé encontra clareza para guiar a vida dos fiéis.

Concílios Regionais vs. Concílios Ecumênicos

Ao estudarmos os concílios da Igreja, percebemos que nem todos possuem a mesma abrangência para a vivência cristã. Existem diferenças essenciais entre um concílio regional e um concílio ecumênico.

Concílio Regional: Como o próprio nome indica, suas decisões possuem validade apenas para uma determinada localidade. Eles foram muito comuns durante os séculos III e IV, ocorrendo em áreas específicas do Império Romano, como o norte da África, a Itália e as províncias da Gália (localizada na atual França).

Concílio Ecumênico: Tem um alcance universal, valendo para toda a Igreja. A palavra “ecumênico” deriva do grego Oikouméne (οἰκουμένη), que designa toda a região habitada e todo o mundo civilizado. Assim, quando um concílio da antiguidade se proclamava ecumênico, a Igreja queria dizer que as definições dali retiradas estavam valendo para todos os cristãos da terra.

A Dinâmica dos Encontros: Convocar e Presidir

Para que essas importantes assembleias ocorram, existem papéis distintos que, devido a diferentes processos históricos, sofreram alterações na forma como ocorriam.

O ato de “convocar” é fazer o chamamento para que o concílio se reúna. Esse chamado histórico pode ser feito tanto por uma autoridade da Igreja quanto por algum membro que não seja da autoridade eclesiástica.

Por outro lado, “presidir” diz respeito a quem vai definir o que será votado e decidido em cada sessão. Essa função vital de liderança geralmente é exercida por um papa, um bispo ou alguém designado pelas autoridades da Igreja.

Os Grandes Desafios da Antiguidade

Nos seus primeiros passos, a Igreja enfrentou enormes desafios teológicos. Os concílios da antiguidade pautaram os rumos da fé, destacando-se: o de Jerusalém (que não é propriamente um concílio, embora seja chamado assim), o de Niceia, o de Constantinopla I, o de Éfeso e o concílio de Calcedônia.

O foco principal desses primeiros encontros estava nas maiores verdades da fé: questões sobre Deus, as pessoas da divina Trindade e a Cristologia — que debatia as naturezas e a pessoa de Cristo. Naquela época, o intenso diálogo da Igreja com a cultura grega fez com que muitos termos advindos da filosofia entrassem na linguagem cristã.

Para evitar qualquer confusão entre os fiéis diante de possíveis discussões terminológicas, a Igreja precisou se pronunciar oficialmente sobre sua própria doutrina. Além disso, esses concílios também aprovavam alguns cânones e regras de disciplina para a vida diária eclesiástica.

Conclusão

A trajetória e as resoluções dos concílios da Igreja demonstram uma profunda preocupação espiritual. Ao reunir líderes para pensar sobre a Trindade e as naturezas de Cristo, a comunidade cristã demonstrou seu compromisso em resguardar a fé e evitar que os fiéis mergulhassem em confusões interpretativas. A espiritualidade cristã, como a história atesta, floresce no diálogo, na união do conselho e no constante cuidado pela verdade.

Referência

CADAMURO, Janieyre Scabio. História dos concílios: aula 1. Curitiba: Intersaberes Play, (s.d.) (pp. 1-2). 1 arquivo PDF (p. 1).

 

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